sexta-feira, 26 de julho de 2013

Divagações invernantes

O frio pagão roí os ossos
E faz-me lembrar do verão
Deveríamos ter no amor, a posição que temos
diante do verão:
Alguns parecem longos, outros curtos
Alguns queimam nossa pele, outros só nos abafam
Alguns são difíceis de esquecer.
Mas todos, todos eles, passam.
E dão lugar ao frio
Pagão
Que rói os ossos.

sábado, 13 de julho de 2013

A Janta número 2

Meio milhão de anos
Meio a meio, ano difícil.
E no meio da alcova mais sombria do edifício
jantamo-nos.



A Janta número 1

No cardápio havia
Três padre-nossos
Sete ave-Marias
Quais mãos suariam
Mais que as minhas?
No final,
Fio dental,
E mil Salve-Rainhas!



sábado, 29 de junho de 2013

[Pan][spermia]

Eu, pedra voadora
Tu, solo quente
eu, monossílabo
Ar, ofegante
Tu, decassílaba
Soneto, comburente
Acendemos, neste atrito
O sábado, como em guerra.
Satisfeito, o seu grito
Fez chover vida na Terra.



Para Pan.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Correio Elegante II

Conta a lenda, que Eros
Ao ver Psiquê em sono profundo
Quis deixa-la assim.
Pois nele, morava um medo
de inexistir.
E Psiquê, ao contrário
Sonhava que Eros a acordava.
Pois toda sua dor, foi querendo encontrá-lo
Pois amar, dizem os antigos, está nesse momento:
- De deixar-se dormir por medo, querendo acordar por esperança.






domingo, 16 de junho de 2013

Correio Elegante.

Psicodélicamente superlativos
esses neologismos almáticos
que na analogia dos olhos encontrados
romanceiam com a morenêz das peles e pelejas,

estamos endomingados!

Acabados nas cadeias
pensando, filosoficamente, refletindo
sobre os largos espaços,
Quilômetros, anos-luzindo
entre as cordilheiras das cadeiras
e as selvas densas das geladeiras

Entre o ente dessa falácia
e o inconsciente que não tem beira
Moraria, de boa, em Recife
Ou no vão
infinito
que há entre o hoje
e a sexta-feira

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Del Castillo

I

Devasta-me con tus lábios.
Ahogarme con sus ojos negros
Hago letra de tu nombre
Déjame vivir en la palabra que define
Y morir en sus senos
Renacer en su vientre
Y dormir bajo tu sombra.

II

¿Recuerdas cuando en amplias fronteras
Bailaron y cantaron a las estrelas
Cuando éramos dioses, sólo porque amamos?
Subido en el hombro, tocó el cielo
Y yo, contento de pedestal
Como santa pagana
Para mí
Era dulce
Y atrevido.