sábado, 17 de maio de 2014

13 de Maio.


 Aos pretos, encouraçados, calejados
Com seus deuses, semi-formados
Com seus terreiros sujos, profanados
Fica decretado desde então:
O Samba não é religião.
Maracatu, frevo, coco, carnaval
Capoeira, forró, Acarajé, vatapá
Aguardente, Baião, Jazz, Blues
Tudo que foi tocado por vossos dedos
Tudo que os Intelectos negros
Ousaram conceber!
Será extirpado, execrado, rasurado
Obliterado! Hão de esquecer!
Afim de que o Brasil se transforme em filial
Da Gloriosa Igreja Universal!


sábado, 10 de maio de 2014

Guerra Santa.

Eu sou a favor da guerra
Aguerrida, de batidas
Performáticas feridas
Estratégias escondidas
Segredo que se berra.

Amo o que se ferra
Quando erra, amo a fera
Amo ódio, a porrada doída
O Aveso que nos revira
O estômago,
O âmago, a essência moída.

Amo a depressão e a deprimida
O azarão, cavalo de corrida.
Má colocação, despedida.
Amo essa guerra abençoada
Maldita!

Amo os generais genocidas
Intrigas internacionais, pátrias postiças
Veneno de rato, pesticidas

Todo lixo podre que venho Juntando
Antes de tudo, digo de coração
Antes um dia de Lobão
Do que mil anos de Caetano

Não há Muro para ficar encima
não há mais nada para sustentar a rima
Só urina, merda, cheiro de latrina
Só rancor e sarcasmo, erguem minha lira

Tusso, tosse seca, rouquidão
Passo mal, ao [a] normal vou voltando
Antes escolhesse um dia de Caetano
Do quê um milênio de Lobão.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Estou no Hades. Vocês me enxergam.Eu sei.
Daqui, não me calo, nem maldigo. Aceno devolta, condescendência. Deferência estúpida.
Pondo-se, o sol alaranjado pinta o horizonte com a mesma cor de sempre. Inútil descrever, todos sabem. Eu sei que estou sonhando. Não sou tão estúpido assim. Eu conheço esses terrenos. Eu sonhei a vida toda. Essa vastidão desperdiçada. Essa força nuclear, perpétua, imponderável, não movimenta sequer um cata-vento. Estou preso num limbo, um purgatório. E nesse Hades eu sonho. Não porque quero sonhar, e sim por que não me resta outra coisa. Tento mandar mensagens para os meus vivos, mas eles não ouvem. Então aceno. Estou meio vivo e meio morto. Sou uma aberração quântica de Schrödinger. Não há na terra quem me ouça? Um falso médium? Um Profeta?
O que eu diria? Eu não sei. Pediria ajuda? Amaldiçoaria Deus e os seus setenta e sete mil anjos? Eu pediria perdão? Meus pecados são menos inocentes do que antes, mas ainda sim são inocentes. Não.
Não me ouçam mais. Sou só mais uma alma amargurada, com moscas nos olhos. Deito-me na fria pedra. E sonho com ilhas e barcos, lindas mulheres e gigantes marítimos. É o que me resta. É o que me basta.


sábado, 19 de abril de 2014

Em nome da Família.

Os agentes da Babilônia
Lançaram neste sábado
Em uma crise de insônia
Um projeto de lei bárbaro!

Da emissão do documento
Até o fim de todos os planetas
Eles terão um controle imenso
Dos nossos paus, cús e bocetas.



quinta-feira, 17 de abril de 2014

Mujahid

Combater é preciso
Viver ou morrer, consequência
A Babilônia nos toma a essência
E nos devolve em forma de carência
Resistência
É o nosso dever, viver ou morrer?
Paciência...
E quando ela nos falta?
Nosso grito tem uma nota alta
Há quem diga que as armas chegarão
Há quem diga que voltar é solução
Há quem diga que não há redenção
Nós não dizemos corremos atrás do pão
Ave Maria antes de dormir, um Pai Nosso
Antes de sair
Sem garantia de voltar
Mas estar de pé, quando os homens chegar
Não desviar o olhar, Jurar, resistir, lutar
Até o joelho fraquejar
E quando cair? Levantar é única opção
A Babilônia quer te ver no chão.
A Puta ri, o império opera, a cidade sangra
De Campos à Angra
Combater é preciso
Então levanta, Mujahid, Levanta!


quinta-feira, 3 de abril de 2014

A Dança.

Alto, como se via
Círculos semi-fechados
Rosas, dados, sangria
Sonhos inaugurados

Quando, na melodia
Teu brinco acorrentado
Prendeu-me nos teus cercados?
Fez-me o que queria

Alto, quando sentia
Teus dois olhos molhados
Teu vestido em rebeldia
Bailava em ti, exaltado

Quando imaginaria
Ter teus seios deitados,
Teus brincos aprisionados
Em minha noite vazia?

Baixo, sussura magias
Cola minha alma em cacos
Quem imaginaria?




terça-feira, 1 de abril de 2014

Quando Crescer

Tenho, morando em meu quarto
Um preto velho de pernas compridas, chapéu de palha
Que uma noite me perguntou quem eu queria ser quando eu crescer.

Eu disse que queria ser Diego: Com sua simplicidade doce, sua malandragem inocente.
Que queria ser Janaina: Com as superficialidades mais profundas que existem
Queria ser Argolo: Com sua perfeição imperfeita, com suas paixões eternas e inconstantes.
Queria ser Merlin: Com a tristeza sublime, os gritos abafados e o ódio silencioso.
Queria ser Mateus: Articulado sempre, exato sempre, coerente sempre, intenso.
Queria ser Mineiro: Um Guru a quem recorremos sempre que a poesia nos escapa entre os dedos, para namorar as estrelas no céu. Ele é zelador do céu.
Queria ser Victor: Criar mundos apartir do pó. E me aventurar neles, sem medo.

O Preto velho me olhou, com aqueles olhos de supernova. Gargalhou forte, um trovão!
E acordei Gabriel.